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Resultados

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) mensura, por meio de entrevistas com produtores agropecuários, a percepção econômica em geral, do Brasil e do estado, além da condição específica do negócio, das indústrias e cooperativas que atuam nos diferentes elos da cadeia. A divulgação é trimestral.

Índice de Confiança do Agronegócio: 100,4 pontos,
queda de 23,4 pontos.

Índice de Confiança do Agronegócio: 100,4 pontos, queda de 23,4 pontos

As preocupações com as consequências da pandemia de Covid-19 derrubaram os ânimos do agronegócio no 1º trimestre de 2020. O índice de confiança do setor fechou o período em 100,4 pontos, uma queda de 23,4 pontos em relação ao 4º trimestre do ano passado, quando atingiu o nível máximo de confiança desde que o levantamento começou a ser realizado. Os ânimos do agronegócio voltaram, assim, ao patamar do 3º trimestre de 2018.

Segundo a metodologia do Índice, resultados acima de 100 pontos, como aconteceu nos cinco trimestres anteriores ao atual, demonstram otimismo. Abaixo disso, a sinalização é de pessimismo no setor.

A perda de confiança foi influenciada, principalmente, pela piora na percepção em relação à economia brasileira. Desde o início da pandemia, as projeções passaram de um crescimento moderado para uma grave recessão. Além disso, o quadro atual aumenta a apreensão em relação à disposição do Congresso em dar seguimento aos esforços para levar adiante a necessária agenda de reformas econômicas.

Um aspecto marcante desse primeiro trimestre do ano: a confiança caiu de modo mais pronunciado nas expectativas sobre o futuro do que em relação a avaliação da situação atual.

Índice de Confiança da Indústria (Antes e Depois da Porteira): 90,6 pontos, queda de 31,5 pontos

A confiança das indústrias situadas na cadeia de produção do agronegócio caiu para patamares claramente pessimistas: 90,6 pontos, 31,5 pontos abaixo do trimestre anterior.

É o pior resultado em três anos e meio. Valores abaixo desse patamar só foram registrados em 2014, 2015 e 2016, coincidindo com o último período de recessão atravessado pela economia brasileira, quando a confiança das agroindústrias chegou a fechar abaixo de 80 pontos em alguns trimestres.

Foi justamente o “elo indústria”, o que mais contribui para a forte queda no Índice.

Indústria Antes da Porteira (Insumos Agropecuários): 86,2 pontos, queda de 36,2 pontos

Dentre todos os segmentos pesquisados, as empresas de insumos agrícolas compõem o grupo mais pessimista, com um Índice de Confiança de apenas 86,2 pontos, 36,2 pontos abaixo do 4º trimestre de 2019.

Os efeitos da pandemia sobre as condições econômicas criaram uma enorme frustração para essas indústrias, cuja expectativa, sustentada pelo grande otimismo dos produtores no fim de 2019, era que 2020 fosse um dos melhores anos já registrados para o setor.

As perspectivas para o futuro foram piores do que a percepção sobre as condições atuais. De fato, a situação atual não deteriorou tanto assim: no campo, os agricultores já fecharam boa parte das aquisições dos insumos necessários para a próxima safra, a ser plantada no último trimestre do ano, mas há uma série de incertezas pairando sobre o médio prazo, diante de uma crise econômica da qual não se pode precisar a duração e a intensidade.

Indústria Depois da Porteira: 92,5 pontos, queda de 29,6 pontos

O Índice de Confiança das indústrias situadas no pós-porteira também caiu para patamares pessimistas: 92,5 pontos, 29,6 pontos abaixo do trimestre anterior. Diferente do que aconteceu no segmento de Antes da Porteira, sobrou um pouco de otimismo relacionado às condições atuais. Talvez isso se deva ao fato de que as vendas de alimentos tenham sido menos prejudicadas pela quarentena e outras medidas de distanciamento social impostas por diversos estados e municípios para combater a disseminação da pandemia.

Além disso, a desvalorização do real favorece a competitividade dos produtos brasileiros, e exportadores e empresas de logísticas continuaram operando de forma praticamente normal, o que pode ser comprovado pelo recorde de exportações mensais de soja em março. A confiança dessas empresas no futuro, porém, também está abalada, diante da perspectiva de uma crise prolongada.

Destaque aqui para as indústrias do setor sucroenergético, duramente afetadas pela pandemia e pelas seguidas quedas nas cotações do petróleo no mercado internacional.

Índice do Produtor Agropecuário: 113,8 pontos, queda de 12,3 pontos

Os produtores agropecuários encerraram o primeiro trimestre do ano com parte da confiança preservada. Seu índice fechou em 113,8 pontos, na faixa ainda considerada otimista pelos critérios do estudo. No entanto, houve um recuo de 12,3 pontos em relação ao trimestre anterior. Isso mostra que a pandemia de Covid-19 também influenciou os ânimos no campo – embora, de maneira geral, durante o período de entrevista para este levantamento a doença ainda fosse vista com menos preocupação no interior do Brasil do que nas grandes cidades.

Índice do Produtor Agrícola: 116,1 pontos, queda de 9,5 pontos

Os produtores agrícolas formam o segmento que mantém maior otimismo dentre todos os avaliados pelo Índice de Confiança: 116,1 pontos. Em relação ao 4º trimestre de 2019, a redução foi de 9,5 pontos.

Alguns fatores ajudaram a impedir uma queda maior. O principal deles diz respeito aos preços domésticos da maioria das commodities agrícolas, como soja, milho, trigo e café, que subiram em relação ao trimestre anterior, impulsionados principalmente pela taxa de câmbio. Apesar disso, os efeitos da pandemia começaram a deteriorar o entusiasmo dos agricultores.

Diminuiu, por exemplo, o otimismo em relação ao crédito. Embora os desembolsos das linhas oficiais tenham crescido no trimestre, aumentaram as preocupações relacionadas à oferta de recurso enquanto se espera a divulgação do Plano Safra, que ocorre costumeiramente no 2ª trimestre.

O pessimismo com os custos de produção se manteve, embora as relações de troca entre os produtos agrícolas e os insumos necessários para seu cultivo esteja em patamares muito bons para a maioria das culturas – com algumas exceções, como é o caso do algodão, cujos preços despencaram nos últimos meses. Houve redução também na confiança relacionada à produtividade, o que pode ser explicado pelos prejuízos que estavam sendo causados pelo clima irregular às lavouras de milho safrinha em algumas importantes regiões produtoras, como o Oeste e o Norte do Paraná e o Sul do Mato Grosso do Sul.

Índice do Produtor Pecuário: 107,0 pontos, queda de 20,7 pontos

Entre os produtores agropecuários, a perda de confiança foi maior entre os pecuaristas: queda de 20,7 pontos sobre o trimestre anterior, para 107,0 pontos. Ainda é, no entanto, um índice alto para este segmento – trata-se do terceiro melhor resultado da série histórica.

Diminuiu entre os produtores pecuários a confiança relacionada aos preços, ao crédito e a produtividade. O pessimismo relacionado aos custos de produção também se aprofundou, o que pode ser reflexo dos altos preços do milho no mercado interno no primeiro trimestre de 2020.



A seguir, são apresentados os resultados em cada elo da cadeia produtiva. Os destaques podem ser encontrados através do download.

Agropecuário*
113,8
Agrícola
116,1
Produtor Pecuário
107,0
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Agricultura = 75% e Pecuária = 25%

12,3**
9,5**
20,7**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
86,2
Índice da Indústria*
(Antes e Depois da Porteira)
90,6
Depois da Porteira
92,5
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Antes da Porteira = 30% e Depois da Porteira = 70%

36,2**
31,5**
29,6**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
86,2
Produtor Agropecuário
113,8
Depois da Porteira
92,5
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
Antes da Porteira = 17%; Dentro da Porteira = 42% e Depois da Porteira = 41%

36,2**
12,3**
29,6**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.